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A praça medieval de Valdora estava quase vazia naquela manhã. Lia esperava junto à torre do sino, com o seu instrumento apertado contra o peito. Mestre Orfeu apareceu pela porta da torre. Ele era o seu padrinho e cuidava do grande sino da cidade. O rosto dele estava sério, e isso fez Lia esquecer por um momento a música que queria praticar.
—Lia, temos um problema —disse Mestre Orfeu. —O ovo dourado desapareceu. Ele não é uma joia comum. É o selo antigo que mantém o dragão adormecido sob Valdora. Sem o ovo, o selo está a falhar. Lia olhou para as pedras da praça. A notícia parecia impossível, mas o seu padrinho não costumava brincar com assuntos tão perigosos.
Nesse instante, uma rachadura apareceu no sino. Uma luz azul e dourada saiu da fenda e iluminou a torre. O sino não tocou, mas a praça inteira tremeu. De muito longe, veio o primeiro rugido do dragão. As janelas vibraram, os pombos voaram e Lia quase deixou cair o instrumento. Mestre Orfeu segurou-lhe o braço até o chão parar de tremer.
—Quem roubou o ovo? —perguntou Lia. —Não sei —respondeu ele. —Mas encontrei uma marca junto ao pedestal vazio. O ladrão saiu pelo museu arqueológico. Talvez ainda esteja lá, ou talvez tenha deixado uma pista. Mestre Orfeu tirou um mapa velho de dentro do casaco. O papel mostrava as galerias do museu, passagens estreitas e uma escada que levava a outras salas. —Pode procurar lá —disse ele. —Tem a minha permissão. Mas precisa de voltar antes do anoitecer, antes da lua nascer.
Tomás chegou correndo pela entrada da praça. Ele trazia alguns livros debaixo do braço e parou para respirar ao lado de Lia. Era estudante de arqueologia e conhecia bem o museu. Quando ouviu falar do ovo, ficou pálido, mas logo abriu um dos livros. —Eu vou com você —disse. —Conheço a galeria do primeiro andar e posso ajudar a ler o mapa. Lia percebeu que as mãos dele tremiam. Mesmo assim, a voz dele era firme.
Mestre Orfeu entregou o mapa a Lia. Ela guardou o papel com cuidado, enquanto Tomás fechava os livros. Os dois olharam para a torre, onde a rachadura luminosa ainda brilhava. O próximo rugido parecia esperar em algum lugar sob a cidade. —Vamos ao museu —disse Lia. —Precisamos encontrar o ovo antes da lua nascer. Com o mapa do padrinho, Lia e Tomás deixaram a praça medieval e seguiram juntos para o museu arqueológico, com uma missão clara e pouco tempo para cumprir.
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