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Clara chegou ao velho teatro de Vila Clara assim que ouviu a notícia sobre Paulo. O prédio estava quase vazio, e as portas pareciam mais pesadas naquela manhã. Ela entrou depressa, com o caderno na mão. Precisava confirmar o que tinha acontecido antes de escrever qualquer coisa.
No escritório da gerente, Rui Vale esperava junto à janela. O dono do teatro parecia nervoso. Clara perguntou por Helena, mas Rui disse que ela não estava ali naquele momento. Então Clara perguntou diretamente por Paulo.
Rui baixou os olhos e respondeu: “Paulo está morto. Encontraram-no perto do palco.” Clara ficou em silêncio por alguns segundos. Ela conhecia Paulo, o sócio de Rui, e sabia que aquela notícia podia trazer problemas ainda maiores para o teatro, que já enfrentava dificuldades financeiras.
Clara pediu que Rui explicasse o que tinha acontecido. Ele disse que estava no teatro quando Paulo foi até o telhado para fumar. Rui afirmou que esse foi o último momento em que viu o sócio. Depois, Paulo foi encontrado morto perto do palco. Assim, Clara soube quando Paulo fora visto pela última vez: antes de subir sozinho ao telhado.
A explicação de Rui tinha uma falha óbvia. Ele dizia que Paulo fora fumar no telhado, mas não explicava por que Paulo tinha ido sozinho nem o que acontecera depois. Rui era, obviamente, a primeira testemunha importante, mas suas palavras não respondiam às perguntas de Clara. A morte não parecia um simples acidente.
Clara fechou o caderno e olhou para a porta do escritório. A morte de Paulo estava confirmada, mas também parecia suspeita. Ela decidiu inspecionar o teatro, começando pelo palco e pelo caminho até o telhado. Rui era a primeira pessoa que ela precisava observar com atenção, e Clara saiu do escritório para procurar novas respostas.
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