
Portuguese
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Clara chegou à Igreja de São Martinho pouco antes da cerimónia do Dia dos Fundadores. A igreja antiga estava silenciosa. As paredes românicas pareciam guardar muitos segredos. Dona Amélia esperava por ela na entrada, com o rosto preocupado.
—Venha comigo —disse Dona Amélia. —Preciso de lhe mostrar uma coisa. Clara seguiu-a até à sacristia. No centro da sala havia uma vitrine pequena. A porta estava fechada, mas o interior estava vazio.
—A chave dourada estava aqui ontem —explicou Dona Amélia. —Eu vi-a antes de fechar a igreja. Hoje de manhã, ela tinha desaparecido. Clara olhou para a vitrine e compreendeu que não se tratava de um simples erro. Alguém tinha levado a chave pouco antes da cerimónia.
Clara aproximou-se do vidro. No chão, perto da vitrine, viu uma linha fina e brilhante. Era o rasto de um caracol. Ao lado da fechadura, havia uma mancha de barro castanho-amarelado. Clara ajoelhou-se para observar melhor, mas não tocou em nada.
—A chave é muito importante —disse Dona Amélia. —Ela abre o arquivo escondido por baixo da igreja. A chave é mostrada todos os anos na cerimónia, porque faz parte da tradição da vila. Clara ficou pensativa. O barro e o caracol podiam indicar por onde o ladrão tinha passado.
Clara levantou-se devagar. Agora tinha a certeza de que a chave fora roubada. Também sabia que o ladrão podia ter deixado um rasto de barro e um caracol junto da vitrine. —Vamos seguir estas pistas —disse ela. Dona Amélia fez que sim, e as duas saíram da sacristia com cuidado.
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